CRISTIANO PEREIRA: «Foi o nº 1 daqueles que eu tive ocasião de ver jogar»  
  Foi após a partida do FC Porto, em Paço d’ Arcos, a contar para a 20ª jornada da 1ª Divisão (época 99/00), que Cristiano Pereira concedeu a entrevista. Como jogador, Cristiano Pereira participou em seis Campeonatos do Mundo seguidos, de 72 a 82 (nos quatro primeiros com Livramento), tendo apenas ganho em Lisboa/74 e em Barcelos/82. Participou igualmente em sete Campeonatos Europeus seguidos, de 71 a 83 (apenas na Alemanha/73, Itália/75 e Porto/77 com Livramento), tendo ganho os quatro primeiros. Cristiano Pereira começou como Seleccionador Nacional em 91 e o seu último título como treinador foi no recente Europeu em Paços de Ferreira. Para Cristiano, LIVRAMENTO «propagandeou a modalidade de uma forma ímpar» e que com «todo o seu saber da modalidade» contribuiu para que o FC Porto tivesse conquistado o título de Campeão Nacional.  
     
  Que recordações tem desse Mundial 74, com António Livramento?  
  Cristiano Pereira Esse Mundial tem muitas recordações, primeiro porque foi a primeira vez que eu fui Campeão Mundial, em termos pessoais, apesar de já ter sido Campeão Europeu, foi a primeira vez que fui Campeão do Mundo e penso que para qualquer desportista era o máximo que se podia almejar. Depois foi um assunto muito conturbado porque todos sabemos o Campeonato esteve para se disputar na magnífica Luanda na época, no Pavilhão da Cidadela, um pavilhão que tudo faria prever que iria ser um espectáculo extraordinário, que depois devido a todos esses aspectos que agora não adianta focar, acabou por ser transferido à última hora para Lisboa. Concretamente em relação ao António Livramento, foi a primeira vez me sagrei Campeão Mundial e neste caso particular eu jogando ao lado dele. Já tinha disputado um Mundial com ele, fazendo parte da mesma equipa e não tínhamos sido campeões mundiais, portanto isso diz tudo e tem a ver naturalmente com a pessoa, neste caso com um desportista, com um hoquista, que não há dúvida nenhuma foi o número 1 daqueles que eu tive ocasião de ver jogar e que realmente propagandeou a modalidade de uma forma ímpar. Infelizmente abandonou-nos com muito tempo ainda na plenitude da sua vida, em que poderia realmente continuar a orientar as diversas equipas e ser um exemplo, e a poder demonstrar aos mais jovens, sobretudo aos mais jovens, como é a técnica do hóquei em patins.  
     
  O Porto já há muito tempo que não ganhava um Campeonato Nacional, ganhou o ano passado com António Livramento. Como foi substituir António Livramento no comando da equipa?  
  Cristiano Pereira Nesse aspecto, como imagina, eu no FC Porto já fui tudo, já fui campeão nacional, já fui campeão europeu, num ano ganhámos todas as competições em que participámos, o FC Porto é o meu clube de sempre, portanto digamos que eu nasci e vivi lá. Naturalmente toda a vida desportiva dos clubes e nomeadamente das respectivas secções desportivas tem os seus períodos, os seus períodos áureos e depois naturalmente advêm períodos de hiatos. Com o António Livramento passou-se realmente uma coisa curiossísima, é que ele tendo tido oportunidade quer como jogador quer como treinador de enfim de representar o FC Porto, nunca se tinha proporcionado e felizmente que isso aconteceu o ano passado. Toda a sua experiência, todo o seu saber da modalidade contribuiu conjuntamente, com todo o grupo do FC Porto, para que ao fim de alguns anos pudéssemos com o FC Porto – e neste caso digo pudéssemos porque eu também faço parte integrante da família azul e branca – ver com todo o gosto o FC Porto voltar a ser campeão nacional. Dentro, digamos do infortúnio, dentro do episódio extremamente triste no desporto nacional e concretamente no HP, de alguma forma, fica marcado para sempre o facto de ele ter sido no último ano da sua actividade desportiva campeão nacional e neste caso ao serviço do FC Porto.